Sabe, conviver em sociedade é um troço complicado, às vezes.
Reduzir este macrocosmo a um relacionamento pode explicar melhor o quão complicado é este troço de sociedade.
E quando digo relacionamento, não falo de um homem e uma mulher, ou qualquer variação neste sentido.
Falo de relacionamento mesmo, seja ele pessoal, profissional, sexual, amoroso ou qualquer coisa que envolva duas ou mais pessoas de opiniões diferentes, tendo de convergir para um objetivo comum a todos.
Neste momento, cada um se comporta à sua maneira, e isso é natural e óbvio, mas é consenso mudo que, enquanto aquele relacionamento tiver que existir, ou enquanto for bom ele existir, as pessoas têm de caminhar para o centro das opiniões.
Tá claro até aqui? Tou me fazendo entender?
Basicamente, um relacionamento exige troca de ideias, responsabilidades, discussões nos momentos de decisões.
Trazendo para o mundo corporativo, é consenso que um sócio da empresa não pode tomar decisão que envolva o outro sócio, sem uma discussão prévia do tema com a outra parte, sem o consenso.
Trazendo para o relacionamento de casal, é consenso que, havendo um casal, uma parte não pode simplesmente decidir e fazer algo sem se preocupar com a outra parte.
O sócio pode até pensar que a vida é dele, que o dinheiro, bem ou mal é dele. A parte do casal pode pensar a mesma coisa, mas eles não podem esquecer que estas decisões afetam o outro.
Eles estão fugindo do centro.
Vamos trazer ao campo hierarquico:
Você aceita de bom grado uma decisão unilateral de teu chefe?
Sem ao menos uma ponderação? Uma flexibilização? Um respeito à tua opinião?
Ele te paga prá voce estar ali, e nem assim voce se sujeita a esta situação.
Com efeito, se numa hierarquia, o que se discute é valor de trabalho e respeito profissional, numa sociedade, a responsabilidade de gastos, e também de presença no trabalho, em uma relação, o que se tem é o tempo junto.
Na prática, é o maior bem de uma relação: o tempo que se passa junto um do outro.
A partir do momento que um lado resolve ter o direito de tomar decisões unilaterais e absolutas, sem dar ao outro argumentos sólidos para tal, ou alternativas, é porque talvez ele não se vê em uma relação genuína.
Veja, não estou aqui brigando contra o direito à individualização.
Todos tem o direito de ficar sozinhos, de decidir por si próprio. Mas a partir do momento em que se estabelece uma relação, seja ela qual for, temos de entender que certas coisas têm de ser discutidas, decididas sim em conjunto.
Ninguem pode ou quer ficar à mercê de cumprir decisões unilaterais, seja ela do sócio, do chefe, do namorado(a)/marido(esposa), e afins.
E me espanta como isso é tão dificil de entender prá algumas pessoas.
Sei lá, não parece egoísmo?
Abraço!
Ps.: este texto parte do princípio de que o relacionamento de fato exista, e que as pessoas estão envolvidas nele. Se não for esta a situação, todo o texto perde efeito.